{"id":424,"date":"2026-10-09T14:37:09","date_gmt":"2026-10-09T17:37:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ccs.ufpb.br\/ciatox\/?page_id=424"},"modified":"2026-11-04T12:53:09","modified_gmt":"2026-11-04T15:53:09","slug":"aranhas-2","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ccs.ufpb.br\/ciatox\/aranhas-2\/","title":{"rendered":"Aranhas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>1 CONHECENDO AS ARANHAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As aranhas s\u00e3o aracn\u00eddeos, animais frequentemente confundidos com insetos, mas que podem ser diferenciados por apresentarem o corpo dividido em duas partes \u2014 prossoma (ou cefalot\u00f3rax) e opistossoma (ou abdome) \u2014, quatro pares de pernas, um par de pedipalpos, um par de quel\u00edceras terminadas em garras (presas), por onde o veneno \u00e9 inoculado, e aus\u00eancia de antenas (Brasil, 2024b).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os aracn\u00eddeos englobam animais bem conhecidos, como aranhas, escorpi\u00f5es, carrapatos e \u00e1caros, e outros menos conhecidos, como opili\u00f5es, pseudoescorpi\u00f5es, amblip\u00edgios e escorpi\u00f5es-vinagre, entre outros. Estes \u00faltimos tamb\u00e9m ocorrem no Brasil, sendo muito comuns em algumas regi\u00f5es, mas n\u00e3o oferecem risco de envenenamento ao ser humano. As aranhas s\u00e3o os \u00fanicos aracn\u00eddeos que inoculam veneno por meio das garras de suas quel\u00edceras e os \u00fanicos que possuem fiandeiras no abdome, estruturas que liberam fios de seda. Toda aranha produz seda, que muitas esp\u00e9cies utilizam na constru\u00e7\u00e3o de armadilhas (teias) para a captura de presas e na confec\u00e7\u00e3o do saco de ovos (ooteca), entre outras finalidades (Brasil, 2024b).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As aranhas alimentam-se principalmente de insetos e de outras aranhas; algumas esp\u00e9cies maiores podem se alimentar de pequenos vertebrados, como sapos, lagartos e roedores. Abrigam-se em buracos no solo, debaixo de pedras, em troncos ca\u00eddos, cascas de \u00e1rvores e na vegeta\u00e7\u00e3o. Muitas esp\u00e9cies constroem teias para capturar suas presas, normalmente insetos, enquanto outras ca\u00e7am ativamente, sem teia de captura. Em \u00e1reas alteradas pelo homem, como nas proximidades de resid\u00eancias, costumam abrigar-se debaixo de tijolos, telhas ou madeiras empilhadas, podendo entrar nas casas e provocar acidentes (Brasil, 2024b).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>2 PRINCIPAIS ARANHAS DE IMPORT\u00c2NCIA M\u00c9DICA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As aranhas s\u00e3o animais importantes para o equil\u00edbrio dos ecossistemas, e a grande maioria das esp\u00e9cies n\u00e3o causa acidentes graves ao ser humano. No Brasil, as aranhas de import\u00e2ncia m\u00e9dica pertencem principalmente a tr\u00eas g\u00eaneros \u2014 <em>Loxosceles<\/em> (aranha-marrom), <em>Phoneutria<\/em> (armadeira) e <em>Latrodectus<\/em> (vi\u00fava-negra) \u2014, cujos venenos provocam quadros cl\u00ednicos distintos. Por isso, conhecer esses animais e os efeitos de seus venenos \u00e9 importante para a preven\u00e7\u00e3o e o atendimento adequado dos acidentes (Brasil, 2024b).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>2.1 G\u00eanero <em>Phoneutria<\/em> (armadeira)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As aranhas do g\u00eanero <em>Phoneutria<\/em>, conhecidas popularmente como armadeiras, s\u00e3o aranhas de m\u00e9dio a grande porte, de h\u00e1bitos predominantemente noturnos, que ca\u00e7am ativamente e n\u00e3o constroem teias de captura. Durante o dia, costumam permanecer escondidas em locais escuros, como sob pedras, troncos, folhas e entulhos e, ocasionalmente, dentro de cal\u00e7ados ou roupas (Brasil, 2024b).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando se sentem amea\u00e7adas, adotam uma postura de defesa bastante caracter\u00edstica: apoiam-se nas pernas traseiras, elevam a parte anterior do corpo e erguem os pares de pernas dianteiros, exibindo as quel\u00edceras (Figura 1). Essa postura de \u201carmar-se\u201d para o bote deu origem ao seu nome popular (Brasil, 2024b).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>Figura 1 \u2013<\/strong> G\u00eanero <em>Phoneutria<\/em> (armadeira) em postura de defesa<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"469\" height=\"344\" src=\"https:\/\/www.ccs.ufpb.br\/ciatox\/wp-content\/uploads\/sites\/21\/sites\/411\/2026\/11\/AR-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-617\" style=\"aspect-ratio:1.3633720930232558;width:469px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.ccs.ufpb.br\/ciatox\/wp-content\/uploads\/sites\/21\/sites\/411\/2026\/11\/AR-1.png 469w, https:\/\/www.ccs.ufpb.br\/ciatox\/wp-content\/uploads\/sites\/21\/sites\/411\/2026\/11\/AR-1-300x220.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 469px) 100vw, 469px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>Fonte:<\/strong> Brasil (2024b, p. 82). Foto: Rog\u00e9rio Bertani.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>2.2 G\u00eanero <em>Loxosceles<\/em> (aranha-marrom)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As aranhas do g\u00eanero <em>Loxosceles<\/em> (fam\u00edlia Sicariidae), conhecidas popularmente como aranhas-marrons, s\u00e3o pequenas, de colora\u00e7\u00e3o marrom e pernas longas e finas. Possuem seis olhos, dispostos em tr\u00eas pares em semic\u00edrculo, caracter\u00edstica que ajuda a diferenci\u00e1-las da maioria das aranhas dom\u00e9sticas, que possuem oito olhos. Algumas esp\u00e9cies apresentam uma mancha escura em forma de violino no cefalot\u00f3rax \u2014 da\u00ed os nomes aranha-violino ou aranha-violinista \u2014, mas esse desenho nem sempre \u00e9 n\u00edtido e n\u00e3o deve ser usado isoladamente para a identifica\u00e7\u00e3o (Figura 2). No Brasil, as principais esp\u00e9cies de import\u00e2ncia m\u00e9dica s\u00e3o <em>L. intermedia<\/em>, <em>L. laeta<\/em> e <em>L. gaucho<\/em> (Brasil, 2001, 2024a; National Geographic Brasil, 2025).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>Figura 2 \u2013<\/strong> G\u00eanero <em>Loxosceles<\/em> (aranha-marrom)<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"408\" height=\"308\" src=\"https:\/\/www.ccs.ufpb.br\/ciatox\/wp-content\/uploads\/sites\/21\/sites\/411\/2026\/11\/AR-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-618\" style=\"aspect-ratio:1.3246753246753247;width:408px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.ccs.ufpb.br\/ciatox\/wp-content\/uploads\/sites\/21\/sites\/411\/2026\/11\/AR-2.png 408w, https:\/\/www.ccs.ufpb.br\/ciatox\/wp-content\/uploads\/sites\/21\/sites\/411\/2026\/11\/AR-2-300x226.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 408px) 100vw, 408px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>Fonte:<\/strong> Brasil (2024b, p. 86). Foto: Rog\u00e9rio Bertani.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e3o aranhas de h\u00e1bitos noturnos e sedent\u00e1rios, encontradas principalmente em locais escuros, secos e pouco movimentados, como atr\u00e1s de m\u00f3veis, quadros e espelhos, em fendas de paredes, entre caixas e pap\u00e9is acumulados e dentro de roupas e sapatos guardados. Sua teia \u00e9 irregular e lembra algod\u00e3o esfiapado (National Geographic Brasil, 2025).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O veneno loxosc\u00e9lico tem a\u00e7\u00e3o principalmente dermonecr\u00f3tica e hemol\u00edtica, atribu\u00edda sobretudo \u00e0 enzima esfingomielinase D. A picada geralmente passa despercebida, e o quadro se instala de forma lenta e progressiva: nas horas seguintes, surgem dor em queima\u00e7\u00e3o, edema e uma les\u00e3o caracter\u00edstica, a placa marm\u00f3rea (\u00e1rea p\u00e1lida entremeada por manchas arroxeadas e circundada por vermelhid\u00e3o), que pode evoluir para necrose e \u00falcera. Nos casos mais graves, o envenenamento pode provocar anemia, icter\u00edcia e inj\u00faria renal aguda (Brasil, 2001, 2024a; National Geographic Brasil, 2025).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A aranha-marrom n\u00e3o \u00e9 agressiva e costuma picar apenas quando \u00e9 comprimida contra o corpo, principalmente durante o sono ou ao vestir roupas e cal\u00e7ados onde estava escondida. Para prevenir acidentes, recomenda-se manter a casa limpa e organizada, evitar o ac\u00famulo de objetos, limpar atr\u00e1s e embaixo dos m\u00f3veis, vedar frestas e sacudir roupas e cal\u00e7ados antes de utiliz\u00e1-los. Em caso de suspeita de picada, deve-se procurar atendimento m\u00e9dico (National Geographic Brasil, 2025).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>2.3 G\u00eanero <em>Latrodectus<\/em> (vi\u00fava-negra)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As aranhas do g\u00eanero <em>Latrodectus<\/em>, conhecidas como vi\u00favas-negras, s\u00e3o pequenas e constroem teias irregulares em vegeta\u00e7\u00e3o rasteira, arbustos, frestas e entulhos (Figura 3). Somente as f\u00eameas, bem maiores que os machos, causam acidentes de import\u00e2ncia m\u00e9dica. No Brasil, os acidentes latrod\u00e9cticos t\u00eam sido registrados principalmente na regi\u00e3o Nordeste. S\u00e3o conhecidas duas esp\u00e9cies no pa\u00eds: <em>L. curacaviensis<\/em>, de abdome preto com manchas vermelhas no dorso (Figura 3) e desenho vermelho em forma de ampulheta na face ventral, e <em>L. geometricus<\/em>, a vi\u00fava-marrom, de colora\u00e7\u00e3o marrom-acinzentada e ampulheta alaranjada (Brasil, 2001, 2024a; Pyrrho, 2024).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>Figura 3 \u2013<\/strong> G\u00eanero <em>Latrodectus<\/em> (vi\u00fava-negra), vista dorsal<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"468\" height=\"174\" src=\"https:\/\/www.ccs.ufpb.br\/ciatox\/wp-content\/uploads\/sites\/21\/sites\/411\/2026\/11\/AR-3.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-619\" style=\"aspect-ratio:2.6952380952380954;width:566px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.ccs.ufpb.br\/ciatox\/wp-content\/uploads\/sites\/21\/sites\/411\/2026\/11\/AR-3.png 468w, https:\/\/www.ccs.ufpb.br\/ciatox\/wp-content\/uploads\/sites\/21\/sites\/411\/2026\/11\/AR-3-300x112.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 468px) 100vw, 468px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>Fonte:<\/strong> Brasil (2024b, p. 90). Foto: Rog\u00e9rio Bertani.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As vi\u00favas-negras vivem predominantemente em \u00e1reas silvestres e periurbanas e n\u00e3o s\u00e3o agressivas; os acidentes ocorrem, em geral, quando a aranha \u00e9 comprimida contra o corpo (Pyrrho, 2024).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O veneno \u00e9 neurot\u00f3xico: sua principal toxina, a alfa-latrotoxina, provoca libera\u00e7\u00e3o maci\u00e7a de neurotransmissores nas termina\u00e7\u00f5es nervosas. O envenenamento, conhecido como latrodectismo, inicia-se geralmente com dor local de pequena intensidade, que evolui para sensa\u00e7\u00e3o de queima\u00e7\u00e3o, podendo surgir p\u00e1pula eritematosa no local da picada e, em seguida, manifesta\u00e7\u00f5es sist\u00eamicas (Pyrrho, 2024).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre as manifesta\u00e7\u00f5es sist\u00eamicas, as motoras s\u00e3o as mais comuns, com tremores, contra\u00e7\u00f5es musculares espasm\u00f3dicas, rigidez abdominal (que pode ser confundida com abdome agudo) e contratura facial, podendo evoluir, raramente, para rabdomi\u00f3lise e les\u00e3o mioc\u00e1rdica aguda (Pyrrho, 2024).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>3 MANIFESTA\u00c7\u00d5ES CL\u00cdNICAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os acidentes por aranhas de import\u00e2ncia m\u00e9dica apresentam manifesta\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas diferentes de acordo com o g\u00eanero envolvido e s\u00e3o classificados, quanto \u00e0 gravidade, em leves, moderados ou graves (Brasil, 2001, 2024a).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Acidente loxosc\u00e9lico (<em>Loxosceles<\/em>).<\/strong> A picada geralmente \u00e9 impercept\u00edvel, e as manifesta\u00e7\u00f5es surgem de forma lenta e progressiva. Na forma cut\u00e2nea, a mais frequente, ocorrem dor em queima\u00e7\u00e3o, edema, palidez e \u00e1reas arroxeadas (placa marm\u00f3rea), bolhas e necrose, podendo haver febre, mal-estar, fraqueza, n\u00e1useas, v\u00f4mitos e dores musculares. Na forma cut\u00e2neo-hemol\u00edtica, menos frequente e mais grave, ocorre destrui\u00e7\u00e3o dos gl\u00f3bulos vermelhos (hem\u00f3lise), com anemia, icter\u00edcia e presen\u00e7a de hemoglobina na urina (urina escura), podendo evoluir para inj\u00faria renal aguda e coagula\u00e7\u00e3o intravascular disseminada (Brasil, 2001, 2024a).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Acidente fon\u00eautrico (<em>Phoneutria<\/em>).<\/strong> A dor \u00e9 imediata, geralmente intensa, e pode irradiar-se para todo o membro afetado. Tamb\u00e9m podem ocorrer incha\u00e7o, vermelhid\u00e3o, formigamento e sudorese no local da picada, onde podem ser observadas duas marcas de inocula\u00e7\u00e3o. A maioria dos casos \u00e9 leve; nos casos moderados e graves, mais frequentes em crian\u00e7as, podem surgir sudorese generalizada, v\u00f4mitos, taquicardia, hipertens\u00e3o arterial, agita\u00e7\u00e3o e priapismo e, raramente, edema pulmonar agudo e choque (Brasil, 2001, 2024a).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Acidente latrod\u00e9ctico (<em>Latrodectus<\/em>).<\/strong> Pode provocar dor no local da picada, sudorese generalizada, altera\u00e7\u00f5es da press\u00e3o arterial e dos batimentos card\u00edacos, contra\u00e7\u00f5es musculares, rigidez abdominal, tremores, ansiedade, ins\u00f4nia, dor de cabe\u00e7a, coceira e vermelhid\u00e3o no rosto e no pesco\u00e7o. Nos casos mais graves, podem ocorrer altera\u00e7\u00f5es do comportamento e choque (Brasil, 2001, 2024a).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>4 PRIMEIROS SOCORROS E TRATAMENTO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>4.1 Primeiros socorros<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante de uma picada de aranha, recomenda-se (Brasil, 2001, 2024a; Instituto Butantan, 2024):<\/p>\n\n\n\n<ol style=\"list-style-type:lower-alpha\" class=\"wp-block-list\">\n<li>lavar o local da picada com \u00e1gua e sab\u00e3o;<\/li>\n\n\n\n<li>aplicar compressas mornas para aliviar a dor, especialmente no acidente por armadeira;<\/li>\n\n\n\n<li>manter a v\u00edtima em repouso e procurar imediatamente um servi\u00e7o de sa\u00fade;<\/li>\n\n\n\n<li>se for poss\u00edvel faz\u00ea-lo com seguran\u00e7a, levar a aranha (ou uma foto dela) para identifica\u00e7\u00e3o;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>n\u00e3o<\/strong> fazer torniquete ou garrote, <strong>n\u00e3o<\/strong> cortar, furar ou sugar o local da picada e <strong>n\u00e3o<\/strong> aplicar subst\u00e2ncias como \u00e1lcool, querosene, fumo, ervas ou pomadas.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em caso de acidente ou de d\u00favida, deve-se consultar o Centro de Informa\u00e7\u00e3o e Assist\u00eancia Toxicol\u00f3gica (CIATox) \u2014 em Jo\u00e3o Pessoa, pelos telefones (83) 3216-7045 e (83) 3216-7007 \u2014 ou o Disque-Intoxica\u00e7\u00e3o da Anvisa, pelo n\u00famero 0800 722 6001 (liga\u00e7\u00e3o gratuita).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>4.2 Tratamento<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O tratamento depende do g\u00eanero da aranha e da gravidade do acidente e deve seguir os protocolos do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, com orienta\u00e7\u00e3o do CIATox. A soroterapia \u00e9 indicada apenas nos casos moderados e graves de loxoscelismo e foneutrismo. No loxoscelismo, utiliza-se preferencialmente o soro antiloxosc\u00e9lico (SALox); no foneutrismo \u2014 e no loxoscelismo, quando o SALox n\u00e3o estiver dispon\u00edvel \u2014, utiliza-se o soro antiaracn\u00eddico (SAAr), produzido a partir dos venenos de <em>Loxosceles<\/em>, <em>Phoneutria<\/em> e <em>Tityus<\/em> (escorpi\u00e3o). O SAAr n\u00e3o \u00e9 indicado para acidentes por outros animais pe\u00e7onhentos (Brasil, 2024a; Instituto Butantan, 2024). Em todos os casos, deve-se avaliar a profilaxia do t\u00e9tano (Barish; Arnold, 2025).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No <strong>acidente loxosc\u00e9lico<\/strong>, al\u00e9m do soro, recomenda-se, nos casos moderados e graves, o uso de corticoide (prednisona) por cinco dias. O cuidado local inclui limpeza e curativo da les\u00e3o; a remo\u00e7\u00e3o cir\u00fargica do tecido necrosado (desbridamento) deve ser adiada at\u00e9 que a \u00e1rea de necrose esteja completamente delimitada. Na forma cut\u00e2neo-hemol\u00edtica, s\u00e3o necess\u00e1rios suporte cl\u00ednico, hidrata\u00e7\u00e3o e acompanhamento da fun\u00e7\u00e3o renal (Brasil, 2001, 2024a; Instituto Butantan, 2024). Cabe ressaltar que parte da literatura internacional considera n\u00e3o comprovado o benef\u00edcio de corticoides e da dapsona na redu\u00e7\u00e3o da necrose (Barish; Arnold, 2025); no Brasil, a conduta segue o protocolo nacional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No <strong>acidente fon\u00eautrico<\/strong>, o tratamento \u00e9 principalmente sintom\u00e1tico: controle da dor com infiltra\u00e7\u00e3o de anest\u00e9sico local sem vasoconstritor no local da picada ou bloqueio anest\u00e9sico, compressas mornas e analg\u00e9sicos. O soro antiaracn\u00eddico \u00e9 reservado aos casos moderados e graves, mais comuns em crian\u00e7as (Brasil, 2001, 2024a; Instituto Butantan, 2024).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No <strong>acidente latrod\u00e9ctico<\/strong>, o tratamento \u00e9 sintom\u00e1tico e de suporte, com analg\u00e9sicos, benzodiazep\u00ednicos e outros medicamentos para o controle da dor e dos espasmos musculares; os casos moderados e graves exigem acompanhamento hospitalar (Brasil, 2024a; Barish; Arnold, 2025). O soro antiaracn\u00eddico dispon\u00edvel no Brasil <strong>n\u00e3o<\/strong> \u00e9 indicado para esse acidente, pois n\u00e3o neutraliza o veneno de <em>Latrodectus<\/em> (Instituto Butantan, 2024).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>\u00c9 importante lembrar que o uso dos ant\u00eddotos (soros antiveneno) devem ser administrados em ambiente hospitalar, por profissionais habilitados.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>5 PREVEN\u00c7\u00c3O DE ACIDENTES COM ARANHAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A preven\u00e7\u00e3o de acidentes com aranhas envolve medidas simples que reduzem o risco de contato com esses animais em ambientes dom\u00e9sticos e rurais (Brasil, 2026):<\/p>\n\n\n\n<ol style=\"list-style-type:lower-alpha\" class=\"wp-block-list\">\n<li>Manter jardins e quintais limpos e evitar o ac\u00famulo de entulho, folhas secas, lixo dom\u00e9stico e material de constru\u00e7\u00e3o perto das casas;<\/li>\n\n\n\n<li>Evitar folhagens densas (plantas ornamentais, trepadeiras, arbustos, bananeiras e outras) junto a paredes e muros e manter a grama aparada;<\/li>\n\n\n\n<li>Limpar periodicamente os terrenos baldios vizinhos, pelo menos numa faixa de um a dois metros junto \u00e0s casas;<\/li>\n\n\n\n<li>Sacudir e inspecionar roupas, sapatos e t\u00eanis antes de us\u00e1-los, pois aranhas e escorpi\u00f5es podem se esconder neles e picar ao serem comprimidos contra o corpo;<\/li>\n\n\n\n<li>N\u00e3o colocar as m\u00e3os em buracos, sob pedras e em troncos podres;<\/li>\n\n\n\n<li>Usar cal\u00e7ados fechados e luvas de raspa de couro ao manusear entulho, lenha ou material de constru\u00e7\u00e3o e ao trabalhar no jardim;<\/li>\n\n\n\n<li>Vedar soleiras de portas e janelas ao escurecer, pois muitos desses animais t\u00eam h\u00e1bitos noturnos;<\/li>\n\n\n\n<li>Vedar frestas e buracos em paredes, assoalhos e v\u00e3os entre o forro e as paredes, consertar rodap\u00e9s soltos e usar saquinhos de areia nas portas e telas nas janelas;<\/li>\n\n\n\n<li>Usar telas em ralos do ch\u00e3o, pias e tanques;<\/li>\n\n\n\n<li>Combater a prolifera\u00e7\u00e3o de insetos, que servem de alimento para as aranhas;<\/li>\n\n\n\n<li>Afastar camas e ber\u00e7os das paredes e evitar que roupas de cama e mosquiteiros encostem no ch\u00e3o;<\/li>\n\n\n\n<li>Na zona rural, preservar os inimigos naturais de aranhas e escorpi\u00f5es, como aves de h\u00e1bitos noturnos (corujas, jo\u00e3o-bobo), lagartos, sapos, galinhas, gansos, macacos e quatis.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BARISH, Robert A.; ARNOLD, Thomas. Picadas de aranha. <em>In<\/em>: <strong>MANUAL MSD<\/strong>: vers\u00e3o para profissionais de sa\u00fade. [<em>S. l.<\/em>]: MSD, jan. 2025. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.msdmanuals.com\/pt\/profissional\/les%C3%B5es-intoxica%C3%A7%C3%A3o\/mordidas-e-picadas\/picadas-de-aranha. Acesso em: 23 set. 2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL. Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Funda\u00e7\u00e3o Nacional de Sa\u00fade. <strong>Manual de diagn\u00f3stico e tratamento de acidentes por animais pe\u00e7onhentos<\/strong>. 2. ed. Bras\u00edlia, DF: Funda\u00e7\u00e3o Nacional de Sa\u00fade, 2001.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL. Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Secretaria de Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade e Ambiente. Departamento de A\u00e7\u00f5es Estrat\u00e9gicas de Epidemiologia e Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade e Ambiente. <strong>Guia de vigil\u00e2ncia em sa\u00fade<\/strong>: volume 3. 6. ed. rev. Bras\u00edlia, DF: Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, 2024a. ISBN 978-65-5993-503-1. Dispon\u00edvel em: https:\/\/bvsms.saude.gov.br\/bvs\/publicacoes\/guia_vigilancia_saude_6edrev_v3.pdf. Acesso em: 22 out. 2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL. Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Secretaria de Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade e Ambiente. Departamento de Doen\u00e7as Transmiss\u00edveis. <strong>Guia de animais pe\u00e7onhentos do Brasil<\/strong>. Bras\u00edlia, DF: Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, 2024b. 164 p. ISBN 978-65-5993-598-7.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL. Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. <strong>Acidentes por aranhas<\/strong>. Bras\u00edlia, DF: Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, [2026]. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.gov.br\/saude\/pt-br\/assuntos\/saude-de-a-a-z\/a\/animais-peconhentos\/acidentes-por-aranhas. Acesso em: 15 set. 2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">INSTITUTO BUTANTAN. <strong>Soro antiaracn\u00eddico (<em>Loxosceles<\/em>, <em>Phoneutria<\/em> e <em>Tityus<\/em>)<\/strong>: bula para o profissional de sa\u00fade. S\u00e3o Paulo: Instituto Butantan, 2024. Dispon\u00edvel em: https:\/\/butantan.gov.br\/assets\/arquivos\/soros-e-vacinas\/2024\/Bula%20Profissional%20da%20Sa%C3%BAde%20Soro%20Antiaracn%C3%ADdico.pdf. Acesso em: 4 nov. 2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL. Os 4 dados sobre a perigosa aranha-violinista ou aranha-marrom: seu habitat \u00e9 a casa das pessoas. <strong>National Geographic Brasil<\/strong>, [<em>S. l.<\/em>], 14 jan. 2025. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.nationalgeographicbrasil.com\/animais\/2025\/01\/os-4-dados-sobre-a-perigosa-aranha-violinista-ou-aranha-marrom-seu-habitat-e-a-casa-das-pessoas. Acesso em: 23 set. 2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PYRRHO, Isabela Lacerda. <strong>Acidentes com aranhas pe\u00e7onhentas no Brasil<\/strong>: epidemiologia, diagn\u00f3stico cl\u00ednico e indica\u00e7\u00f5es de uso de soroterapia antiaracn\u00eddica. 2024. Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso (Gradua\u00e7\u00e3o em Medicina) \u2013 Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2024. Dispon\u00edvel em: http:\/\/repositorio-bc.unirio.br:8080\/xmlui\/bitstream\/handle\/unirio\/14228\/TCC_UNIRIO_Medicina_2024_IsabelaLacerdaPyrrho.pdf. Acesso em: 23 set. 2026.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"825\" height=\"770\" src=\"http:\/\/www.ccs.ufpb.br\/ciatox\/wp-content\/uploads\/sites\/21\/sites\/411\/2026\/03\/Logo-Ciatox.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-177\" style=\"aspect-ratio:1.0714447310076467;width:146px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.ccs.ufpb.br\/ciatox\/wp-content\/uploads\/sites\/21\/sites\/411\/2026\/03\/Logo-Ciatox.png 825w, https:\/\/www.ccs.ufpb.br\/ciatox\/wp-content\/uploads\/sites\/21\/sites\/411\/2026\/03\/Logo-Ciatox-300x280.png 300w, https:\/\/www.ccs.ufpb.br\/ciatox\/wp-content\/uploads\/sites\/21\/sites\/411\/2026\/03\/Logo-Ciatox-768x717.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 825px) 100vw, 825px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong><em>E<\/em><\/strong><em><strong>laborado por:<\/strong> Maryanna Ara\u00fajo dos Santos<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong><em>Corrigido e revisado por:<\/em><\/strong><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><em>Ant\u00f4nia Fernandes Furtado de Abrantes \u2013 Farmac\u00eautica \u2013 CIATox Jo\u00e3o Pessoa<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><em>Hemerson Iury Ferreira Magalh\u00e3es \u2013 Docente \u2013 CIATox Jo\u00e3o Pessoa<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1 CONHECENDO AS ARANHAS As aranhas s\u00e3o aracn\u00eddeos, animais frequentemente confundidos com insetos, mas que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":713,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-424","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ccs.ufpb.br\/ciatox\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/424","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ccs.ufpb.br\/ciatox\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ccs.ufpb.br\/ciatox\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccs.ufpb.br\/ciatox\/wp-json\/wp\/v2\/users\/713"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccs.ufpb.br\/ciatox\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=424"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.ccs.ufpb.br\/ciatox\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/424\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":649,"href":"https:\/\/www.ccs.ufpb.br\/ciatox\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/424\/revisions\/649"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ccs.ufpb.br\/ciatox\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=424"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}